Satélite vai se desintegrar sem atingir humanos
Por Andrea Shalal-Esa
WASHINGTON (Reuters) – Um satélite de espionagem norte-americano deve se fragmentar ao cair sobre a Terra nas próximas semanas, praticamente sem representar risco algum para os humanos, disseram autoridades dos EUA e especialistas na segunda-feira.
A maior parte dos pedaços que sobreviverem ao calor da entrada na atmosfera devem cair nos oceanos, que cobrem três quarto da Terra, segundo Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.
Mas ele disse que o governo dos EUA está monitorando a trajetória descendente do satélite desativado e examinando várias opções para “mitigar qualquer dano”.
Teoricamente, os militares poderiam usar um míssil para destruir o satélite, do tamanho de uma minivan. Mas uma importante fonte de defesa disse que isso não deve acontecer por várias razões, como a preocupação em não criar lixo espacial, como fez a China no ano passado, quando abateu um de seus próprios satélites e deixou cerca de mil pequenas peças em órbita.
“Dado que 75 por cento da Terra é coberta por água, e muitas terras são inabitadas, a probabilidade de este satélite ou quaisquer destroços caírem em uma área habitada é muito pequena”, disse Johndroe.
Bryan Whitman, porta-voz do Pentágono, disse que mais de 17 mil objetos de fabricação humana voltaram à atmosfera terrestre nos últimos 50 anos, sem nenhum incidente grave.
“Estamos monitorando, levamos nossas obrigações a sério a respeito do uso do espaço”, disse Whitman, acrescentando que o satélite deve cair “no final de fevereiro ou começo de março”.
O satélite é uma peça considerada secreta, do Escritório Nacional de Reconhecimento, e foi lançado em 2006 da base aérea de Vandenberg, na Califórnia, segundo quatro altos-funcionários que pediram anonimato.
Esse satélite, chamado L-21, está sem comunicação desde pouco depois de chegar à sua órbita de baixa altitude. Construído pela Lockheed Martin Corp. a um custo de centenas de milhões de dólares, já perdeu 70 quilômetros da altitude da sua órbita e está agora cerca de 280 quilômetros acima da Terra. Astrônomos norte-americanos e europeus estimam que ele está caindo cada vez mais rápido, a um ritmo atual de 8 quilômetros por dia.
Uma vez que ele nunca esteve operacional, o satélite contém combustível tóxico de foguete, que deveria ter sido usado para manobras no espaço. Caso o tanque não exploda na reentrada, pode haver risco na Terra.
Milhares de objetos espaciais caem por ano na Terra, mas normalmente se espalham por enormes áreas, e nunca houve relatos de feridos, segundo duas autoridades norte-americanas.
Objetos maiores eventualmente sobrevivem, como um tanque de aço inoxidável, de 255 quilos, do foguete Delta 2, que em 1997 caiu a 50 metros de uma casa rural no Texas.
Este L-21 é muito menor e mais propenso a se queimar inteiramente na atmosfera, segundo cientistas.
(Reportagem adicional de Andrew Gray)
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